Gripe ou constipação? Eis a questão!

Enquanto a gripe é causada pelos vírus Influenza, as constipações são causadas por outros vírus como, por exemplo, os rinovírus. 

A gripe é uma doença mais incapacitante, em que os sintomas respiratórios são, geralmente, acompanhados de febre superior a 38ºC, fortes dores de cabeça, dores musculares, cansaço e fraqueza.

Já as constipações manifestam-se com outras características sintomáticas mais evidenciadas do que nas gripes, como sejam: congestão nasal, espirros, irritação da garganta e olhos molhados.

No caso das constipações a febre não é tão comum, mas nestes casos de exceção as temperaturas não costumam ser muito elevadas (< 38ºC) Já as dores musculares, cansaço ou fraqueza, frequentes quanto estamos na presença da gripe, são muito raras nas constipações.

Apesar das diferenças que existem entre estas duas doenças, a verdade é que os tratamentos são muito semelhantes, uma vez que ambas as doenças, como referido anteriormente, são autolimitadas na grande maioria dos casos, ou seja, com o tempo acabarão por desaparecer sem qualquer tipo de intervenção médica.

O papel do médico, no tratamento da constipação e da gripe é apenas de controlo dos sintomas e despiste dos sinais de alarme. Os doentes devem descansar, ingerir muitos líquidos e manter a alimentação dentro do possível, comendo o que lhes apetecer mais.

Caso exista uma congestão nasal, é fundamental uma boa higiene nasal, utilizando-se para este efeito água do mar, soro fisiológico ou descongestionantes nasais por um curto período de tempo (nunca superior a 5 dias). Se existir febre alta, cefaleias e dores musculares, podemos socorrer-nos de paracetamol de 8 em 8 horas.

Ao contrário do que algumas pessoas pensam, o paracetamol não controla apenas a febre, pois também tem efeito analgésico, o que o torna primeira opção na grande maioria das situações.

Não devemos tomar medicamentos para parar a tosse, pois esta é um mecanismo de proteção, que impede que as secreções se acumulem nos pulmões e causem infecções mais graves.

Para a gripe, existem de facto antivíricos que poderão ser administrados no caso de gripes que evoluíram de forma desfavorável. No entanto, a eficácia destes medicamentos tem vindo a ser muito contestada pela fraca qualidade dos estudos existentes acerca deste assunto, pelo que neste momento, só em casos muito raros é que se deve considerar esta opção.